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Guia de prática clínica sobre cuidados com o parto normal




7. GUIA DE PRÁTICA CLÍNICA SOBRE CUIDADOS COM O PARTO NORMAL 9 as informações científicas estão mais acessíveis que nunca, mas, no entanto, a maior parte destas requer o uso de ferramentas dirigidas ao suporte da tomada de decisões clínicas adequadas, eficientes e seguras e de profissionais com conhecimento e habilidades atualizados. Os Guias de Prática Clínica (GPC) fornecem respostas às perguntas mais relevantes que podem ser feitas com relação aos cuidados que devem ser prestados desde os serviços de saúde até uma patologia concreta, ou também, como é o caso do parto, a um processo fisiológico que requer qualidade e proximidade necessárias, que favoreçam uma experiência satisfatória para mulheres, recém-nascidos e família. Também apresentam evidências científicas na forma de recomendações graduadas segundo a qualidade dos estudos que as apoiam. A Agencia de Calidad (Agência de Qualidade) promove a elaboração, difusão e utilização dos GPC, consciente de que estes facilitam a tomada diária de decisões clínicas e que constituem ferramentas para melhorar os resultados de saúde, uma vez que zela para que os GPC elaborados na Espanha tenham qualidade. Em 2003, o Conselho Interterritorial do Sistema Nacional de Saúde (SNS) criou o projeto GuíaSalud (Guia Saúde), que tem como objetivo final a melhora da tomada de decisões clínicas baseadas em evidências científicas através de atividades de formação e da configuração de registro do GPC no SNS. Desde então, o projeto GuíaSalud tem avaliado dezenas de GPC de acordo com critérios explícitos gerados por seu comitê científico e as tem registrado e difundido através da internet. No início de 2006, a Diretoria Geral da Agencia de Calidad do SNS elaborou o Plano de Qualidade para o SNS, que se desdobra em doze estratégias. O propósito desse Plano é incrementar a coesão do SNS e ajudar a garantir a qualidade máxima de cuidados de saúde a todos os cidadãos, independentemente de seu lugar de residência. A décima estratégia do Plano se destina à Melhora da Prática Clínica e inclui, entre seus objetivos a diminuição da variabilidade da prática clínica e o fomento da elaboração e do uso do GPC. O GuíaSalud (no que se refere à criação de um registro), a formação e a assessoria e o Programa de Elaboração de GPC (na criação de novos guias) estão respondendo aos objetivos determinados no plano de qualidade. Um GPC como este que apresentamos sobre Cuidados com o Parto Normal tem sido abordado desde 2006, com a participação das sociedades científicas implicadas. O guia apresentado a seguir constitui a ferramenta de acompanhamento da Estrategia de Atención al Parto Normal (Estratégia de Cuidados com o Parto Normal) no SNS para facilitar sua implementação por parteiras, obstetras, pediatras, enfermeiros e outros profissionais implicados nos cuidados com mulheres no parto. Este Guia é resultado do trabalho de um amplo grupo de profissionais, procedentes de diferentes comunidades autônomas, que representam o conjunto de disciplinas implicadas nos cuidados com o parto normal. Mulheres pertencentes a associações envolvidas na promoção de cuidados adequados antes, durante e depois do parto também têm participado, como membros de pleno direito. No processo de revisão, se tem contado com profissionais de prestígio reconhecido, pertencentes às sociedades científicas implicadas.
8. 10 GUIAS DE PRÁTICA CLÍNICA NO SNS As recomendações que são propostas neste Guia estão baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis e constituem uma boa ferramenta para melhorar os cuidados, facilitar a participação das mulheres em seu parto e apoiar as iniciativas de melhora nos serviços obstétricos de nossos hospitais. Estamos convencidos de que o uso do Guia contribuirá para melhorar a qualidade dos cuidados prestados no parto normal em nosso país e incrementará a satisfação tanto dos profissionais quanto das mulheres e suas famílias. Dr. Pablo Rivero Corte Diretor Geral da Agencia de Calidad do SNS
9. GUIA DE PRÁTICA CLÍNICA SOBRE CUIDADOS COM O PARTO NORMAL 11 Autoria e colaborações Grupo de Trabalho do GPC sobre Cuidados com o Parto Normal Luis Fernández-Llebrez del Rey, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Hospital das Cruzes, Barakaldo, Bizkaia Charo Quintana Pantaleón, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Hospital Universitário Marquês de Valdecilla, Santander Itziar Etxeandia Ikobaltzeta, farmacêutica, Serviço de Avaliação de Tecnologias Sanitárias, Osteba, Vitoria-Gasteiz Rosa Rico Iturrioz, especialista em Medicina Preventiva e Saúde Pública, Serviço de Avaliação de Tecnologias Sanitárias, Osteba, Vitoria-Gasteiz María del Carmen Maceira Rozas, farmacêutica, Axencia de Avaliación de Tecnoloxías Sanitarias de Galicia (avalia-t), Santiago de Compostela Ángel Salgado Barreira, farmacêutico, Axencia de Avaliación de Tecnoloxías Sanitarias de Galicia (avalia-t), Santiago de Compostela Gerardo Atienza Merino, médico, Axencia de Avaliación de Tecnoloxías Sanitarias de Galicia (avalia- t), Santiago de Compostela Subgrupos de trabalho para perguntas clínicas Idoia Armendariz Mántaras, técnico em eletrônica, membro da “Asociación El Parto Es Nuestro” (Associação O Parto É Nosso), Bizkaia María Pilar de la Cueva Barrao, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Hospital Geral da Defesa, membro da “Asociación El Parto Es Nuestro” Jose Luís de Pablo Lozano, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Serviço do Hospital de Txagorritxu, Gasteiz, Araba Marian Fernández Bao, parteira, Hospital das Cruzes, Barakaldo, Bizkaia Rosario Fernández Fontanillo, parteira, Hospital Donostoia, Donostia-San Sebastián Isabel Fernandez del Castillo Sainz, jornalista, membro da “Asociación El Parto Es Nuestro”, Madri Manuel Fillol Crespo, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Serviço do Hospital de la Plana, Villarreal, Castellón José Manuel García Adanez, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Hospital Donostia, San Sebastián José Ángel García Hernández, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Hospital Universitário Materno-Infantil das Canárias, Las Palmas de Gran Canaria Blanca Herrera Cabrerizo, parteira, Hospital de Baza, Granada Raquel Jiménez Calahorra, especialista em Anestesiologia, Hospital de Santo Elói, Barakaldo, Bizkaia
10. 12 GUIAS DE PRÁTICA CLÍNICA NO SNS Yolanda Olivares Saralegui, especialista em Anestesiologia, Hospital Donostia, Donostia-San Sebastián Juan Carlos Melchor Marcos, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Hospital das Cruzes, Barakaldo, Bizkaia Juan Manuel Odriozala Feu, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Hospital Universitário Marquês de Valdecilla, Santander José María Paricio Talayero, especialista em Pediatria, Hospital Marina Alta, Denia, Alicante Alberto Puertas Prieto, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Hospital Universitário Virgem das Neves, Granada Justino Rodríguez Alarcón Gómez, especialista em Pediatria e Neonatologia, Hospital das Cruzes, Barakaldo, Bizkaia Marta Sancha Naranjo, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, médica adjunta, Hospital Universitário Paz, Madri Olivia Santiago Moriana, parteira em Cuidados Especializados do Hospital de Jarrio, Coana, Astúrias Rafel Ucieda Somoza, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Hospital Universitário de Santiago de Compostela Coordenação da área clínica Luis Fernández-Llebrez del Rey, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Hospital das Cruzes, Barakaldo, Bizkaia Coordenação da área metodológica Rosa Rico Iturrioz, especialista em Medicina Preventiva e Saúde Pública, Serviço de Avaliação de Tecnologias Sanitárias, Osteba, Vitoria-Gasteiz Charo Quintana Pantaleón, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Hospital Universitário Marquês de Valdecilla, Santander Itziar Etxeandia Ikobaltzeta, farmacêutica, Serviço de Avaliação de Tecnologias Sanitárias, Osteba, Vitoria-Gasteiz Coordenação metodológica da revisão sistemática Gerardo Atienza Merino, médico, Axencia de Avaliación de Tecnoloxías Sanitarias de Galicia (avalia-t), Santiago de Compostela Revisão externa Lluis Cabero i Roura, especialista em Obstetrícia e Ginecologia, Universidade Autônoma de Bellaterra, Barcelona, Hospital Universitário Materno-Infantil do Vale de Hebron, Barcelona Carmen Fernández López de Hierro, representante do Setor de Anestesia Obstétrica da Sociedad Española de Anestesiología y Reanimación (Sociedade Espanhola de Anestesiologia e Reanimação), Serviço de Anestesiologia e Reanimação, Hospital Clínic, Barcelona María Ángeles Rodríguez Rozalén, parteira, Hospital Central da Defesa, Madri, membro da Comissão Nacional de Parteiras, Ministério da Saúde
11. GUIA DE PRÁTICA CLÍNICA SOBRE CUIDADOS COM O PARTO NORMAL 13 Manuel Sánchez Luna, especialista em Pediatria e Neonatologia, Hospital Materno-Infantil Universitário Gregorio Marañón, Madri Outras colaborações Beatriz Casal Acción, bibliotecária, Axencia de Avaliación de Tecnoloxías Sanitarias de Galicia (avalia- t), Santiago de Compostela María Rios Neira, bibliotecária, Axencia de Avaliación de Tecnoloxías Sanitarias de Galicia (avalia-t), Santiago de Compostela José Ignacio Pijoan, epidemiologista clínico, Hospital das Cruzes, Barakaldo, Bizkaia Marta Urbano Echavarri, jornalista, suporte administrativo e coordenação logística, Serviço de Avaliação de Tecnologias Sanitárias, Osteba, Vitoria-Gasteiz Idoia Fernández de Jauregi Berrueta, suporte administrativo e trabalho editorial, Serviço de Avaliação de Tecnologias Sanitárias, Osteba, Vitoria-Gasteiz Agradecimentos À Diretoria Territorial de Bizkaia do Departamento de Saúde e Consumo do Governo Basco e à Sociedad Española de Ginecología y Obstetricia (Sociedade Espanhola de Ginecologia e Obstetrícia) (SEGO) pelo desembaraço logístico para a realização das reuniões. Aos membros da equipe e colegas de trabalho que são mães com experiência de parto e deram suas considerações e opiniões durante todo o processo de elaboração do Guia. Associações colaboradoras Federación de Asociaciones de Matronas de España (Federação das Associações de Parteiras da Espanha) (FAME) Sociedad Española de Ginecología y Obstetricia (SEGO) Setor de Medicina Perinatal da SEGO (SEMPE) Asociación Española de Pediatría (Associação Espanhola de Pediatria) (AEP) - Comitê de Amamentação Sociedad Española de Neonatología (Sociedade Espanhola de Neonatologia) (SEN) Asociación El Parto Es Nuestro Membros dessas associações participaram da autoria e da revisão externa do GPC Declaração de interesses A entidade financiadora não influiu no conteúdo e na direção das recomendações do Guia. Solicitou-se uma declaração de interesses (Anexo 14) a todos os membros do grupo de trabalho.
12. 14 GUIAS DE PRÁTICA CLÍNICA NO SNS
13. GUIA DE PRÁTICA CLÍNICA SOBRE CUIDADOS COM O PARTO NORMAL 15 Perguntas a responder 1. Cuidados durante o parto Cuidados de profissionais e acompanhantes 1. Como a relação entre a mulher e os profissionais que a estão atendendo influi na evolução do parto e em sua satisfação com a experiência do mesmo? 2. Como o perfil do profissional influi nos resultados do parto? 3. Qual é a efetividade de acompanhar a mulher durante o parto? Ingestão de líquidos e sólidos 4. Qual é a efetividade da restrição de líquidos e sólidos durante o parto? 5. O que é aconselhável para evitar cetose durante o parto? II. Dilatação: primeira etapa do parto Definição da primeira etapa do parto 6. Qual é a definição da fase latente da primeira etapa do parto? 7. Qual é a definição da fase ativa da primeira etapa do parto? Duração e progresso da primeira etapa do parto 8. Qual é a duração das fases latente e ativa da primeira etapa do parto? 9. A duração e o progresso da primeira etapa do parto influem nos resultados? Admissão na maternidade 10. Qual é o momento ideal para admitir uma mulher em trabalho de parto na maternidade? Cuidados durante a admissão 11. Qual é o benefício de realizar uma amnioscopia em todas as mulheres que chegam à admissão devido a suspeita de trabalho de parto? 12. Qual é o benefício de realizar uma CTG em todas as mulheres que chegam à admissão devido a suspeita de trabalho de parto?
14. 16 GUIAS DE PRÁTICA CLÍNICA NO SNS Intervenções rotineiras possíveis durante a dilatação 13. Qual é a efetividade do enema rotineiro durante o parto? 14. Qual é a efetividade da depilação perineal rotineira durante o parto? 15. Qual é a efetividade dos cuidados individuais durante o parto? 16. Que efeito a movimentação e a adoção de diferentes posições têm no parto e em seus resultados? 17. Qual é a efetividade da amniorrexe artificial rotineira e da perfusão rotineira de ocitocina? 18. O uso de antissépticos na lavagem vulvovaginal é necessário antes do toque vaginal? 19. A utilização do partograma melhora os resultados? 20. Qual é a frequência ideal das explorações vaginais durante o período de dilatação? 21. Que métodos são eficazes para tratar o atraso da primeira fase do parto? III. Segunda etapa do parto Definição 22. Qual é a definição da fase latente da segunda etapa do parto? 23. Qual é a definição da fase ativa da segunda etapa do parto? Duração e progresso 24. A duração e o progresso da segunda etapa do parto influem nos resultados? Medidas de assepsia 25. As medidas de assepsia durante a assistência ao parto influem nos resultados? Posição durante o período de expulsão 26. Qual é a posição mais adequada durante o período expulsivo? Puxos maternos e dirigidos 27. Qual é a efetividade das diferentes técnicas de puxo durante a segunda etapa do parto nos resultados maternos e neonatais? 28. Qual é o momento ideal para recomendar puxos dirigidos? Prevenção de traumatismo perineal 29. Qual é a efetividade das seguintes intervenções na prevenção do traumatismo genital? (massagem do períneo, aplicação de calor perineal, uso de anestésicos
15. GUIA DE PRÁTICA CLÍNICA SOBRE CUIDADOS COM O PARTO NORMAL 17 locais no períneo, aplicação de frio perineal, proteção do períneo, desvio ativo da cabeça e extração ativa do ombro contra não fazer nada) Episiotomia 30. Qual é a efetividade da episiotomia? Método e material de sutura na reparação perineal 31.. Qual é a duração do período do nascimento? Manejo do nascimento 36. O método de manejo do nascimento influi nos resultados? Uso de uterotônicos 37. Que uterotônico é o mais adequado para o nascimento dirigido? (ocitocina, derivado do ergô, prostaglandinas e carbetocina) Dose de ocitocina (IV) para o nascimento dirigido 38. Qual seria a dose de ocitocina intravenosa (IV) mais adequada para o nascimento dirigido? V - Cuidados com o recém-nascido Pinçamento do cordão umbilical 39. Qual é o momento mais adequado para pinçar o cordão umbilical? Contato de pele com pele
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